February 8, 2024 by adriano 0 Comments

Há uma falta de um entendimento maior do que é mercado de imóveis de luxo no país

Entrevista | Douglas Strabelli, CEO Sagewood Corporation

Por Imóveis de Valor

Há 30 anos, o Brasil perdia um jovem e promissor jogador de futebol para ganhar um dos nomes mais respeitados do setor de construção civil no Exterior. A história de Douglas Strabelli – CEO e co-fundador da Sagewood Corporation, incorporadora e construtora com sede nos Estados Unidos – começa em Maringá (PR), passa por Madri, Nova York, Florida e, agora, tem novo capítulo aqui mesmo no País, onde pretende entrar em campo já na primeira divisão do mercado imobiliário: o segmento de alto padrão. “Acho que posso ajudar a melhorar a qualidade dos empreendimentos”, diz. Acompanhe na entrevista a seguir.

Você quase foi jogador de futebol?

Douglas Strabelli – Sim, tive até propostas de times da minha cidade, Maringá (PR). Com 18 anos, fui tentar a vida como jogador de futebol em Madri (Espanha). Jogava de segundo volante, não era muito focado, mas jogava bem.

E como chegou na construção civil?

Consegui um emprego numa construtora na Espanha porque jogava futebol. A empresa tinha um time que jogava torneios regionais. Mas logo percebi que não teria vida longa no esporte e tive de aprender o ofício ou morreria de fome. Fui ser pedreiro, pintor, supervisor até abrir meu próprio negócio.

O esporte te ajudou na construção de sua carreira fora dele?

O futebol teve uma importância muito grande na minha vida com empreendedor. Aprendi lições como liderança em campo, não importa em que posição você jogue; trabalho em grupo; valorizar a diversidade, ao competir lado a lado com pessoas de todo tipo de origem e nível socioeconômico. De alguma forma, isso tudo me ajudou em todas as fases da minha carreira.

Como avalia o segmento imobiliário de alto padrão no Brasil?

Vejo que há uma falta de um entendimento maior do que é mercado de imóveis de luxo no país. Cinco ou seis incorporadoras se especializaram nisso e tomaram o mercado. Isso significa que há um espaço muito grande para outras empresas entrarem nesse negócio. E acho que posso ajudar a melhorar os empreendimentos, que já são muito bem-posicionados.

Sua companhia está bem estabelecida nos Estados Unidos. O que te fez olhar para o mercado brasileiro agora?

Primeiro, porque senti que tinha realizado muito em outros países, mas não fiz no meu. E, no fundo, sou brasileiro, apesar de viver há muito tempo fora. Depois, porque há muitas oportunidades aqui dentro do nosso principal modelo de negócio que é o desenvolvimento de projetos em grande escala. Surgiu uma oportunidade no Rio de Janeiro, uma proposta de desenvolver uma área na região serrana. No futuro, a ideia é expandir para outros mercados, como São Paulo, Minas Gerais e na cidade do Rio.

Quinta das Amoras, na região serrana do Rio: projeto de larga escala envolve não apenas o condomínio de alto padrão, mas melhorias urbanas em toda a região ao redor — Foto: Sagewood Corporation/Divulgação

Quinta das Amoras, na região serrana do Rio: projeto de larga escala envolve não apenas o condomínio de alto padrão, mas melhorias urbanas em toda a região ao redor — Foto: Sagewood Corporation/Divulgação

Por que investir em projetos de grande escala?

Buscamos oportunidades em lugares onde exista espaço geográfico para crescimento. Estamos desenvolvendo um projeto que fica numa área entre North Miami e Ventura que reflete isso. Fica diante do Shopping Ventura, visitado por 28 milhões de pessoas por ano, e bem próxima da Bright Line, a linha ferroviária que liga Orlando a Miami. A ideia é sempre entender – a partir de uma análise de dados e de pesquisa de campo – o tipo de produto que cabe ali e que vai gerar valor não só para a companhia, mas para a região como um todo.

Assim nasceu o projeto do IQ?

O IQ Concept é um complexo em West Aventura que compreende quatro edifícios para “multifamily” (IQ Loft), de médio a alto padrão, com 200 unidades, um edifício de seis andares com 34 apartamentos de luxo (IQ Lux) e outra torre de uso misto (IQ Mix). O VGV é de US$ 250 milhões.

No Loft, os apartamentos serão exclusivos para locação nos primeiros cinco anos. Depois, serão colocados à venda. Criamos também um app de serviços baseado em um grande banco de dados, voltado às pessoas que utilizam dos nossos prédios ‘multifamily’. Elas poderão fechar desde o contrato de aluguel a conseguir um “dog walker”.

No Lux, as unidades poderão ser entregues mobiliadas por meio de parcerias que temos com as marcas Breton e a Ornare. O valor dos apartamentos, que terão até dois dormitórios, está entre US$ 400 mil a US$ 800 mil. E eles serão “no restriction”: poderão ser alugados por seus donos.

Para o projeto Mix, contratamos o escritório Arquitectonica. Será um prédio de 20 andares, com lojas no térreo, cinco pisos com estúdios para a geração Z, muitos “amenities”, lazer e lajes corporativas na parte superior. Será uma âncora para a área e deverá ajudar no desenvolvimento da economia de toda a região.

No edifício Canal by IQ, a proposta é oferecer unidades mobiliadas em parceria com marcas brasileiras — Foto: Sagewood Corporation/Divulgação

Que análise faz do atual momento do mercado de incorporação nos Estados Unidos?

Estamos com juros altos e isso tem feito com que os “regional banks” se tornem mais restritivos para liberação de empréstimos a investidores sem experiência no setor imobiliário. Como era antes: você comprava um terreno, aprovava um projeto e levantava 20% de equity para 80% de dívida, tinha uma exposição menor de caixa. Hoje, está em 35/65%. E se você chega no banco para pedir um “loan” sem ter construído ou incorporado nada antes, o comitê não aprova mais.

O lado positivo disso é que estes bancos e instituições de crédito estão pegando estes “deals” que não foram cumpridos e oferecendo a empresas como a nossa, com expertise comprovado no mercado. Isso tem feito nosso pipeline crescer bastante na Florida. A previsão é saltar de US$ 300 milhões para mais de US$ 1 bilhão.

Como começou a empreender de fato?

Foi ainda na Espanha. Após dois anos naquela primeira empresa, abri um negócio de pintura com um amigo goiano que fiz lá. Apareceu um trabalho de reformar um apartamento inteiro e decidi arriscar fazer a obra toda: como conhecia a comunidade inteira de brasileiros, já que a maioria jogava futebol também, montei uma equipe e fizemos o trabalho. O cliente, um iraniano, gostou tanto do nível da entrega que nos indicou a amigos dele. Não paramos mais de trabalhar e, em um ano, a empresa chegou a ter 50 funcionários. Fiquei no ramo por seis anos na Espanha e percebi que minha trajetória não era mais continuar no país.

Perspectiva do prédio de apartamentos “multifamily” em Aventura, no oeste de Miami: foco na geração Z — Foto: Sagewood Corporation/Divulgação

Foi o que motivou a mudança para os Estados Unidos?

Sim. Tinha decidido mudar de área e sair da construção civil. Atuava no alto padrão e isso exigia muito da minha presença, para garantir a qualidade. E não tinha maturidade para isso. Neste processo, ganhei dinheiro, mas perdi muito também. É o ‘MBA’ da vida. E decidi abrir um restaurante espanhol com um amigo americano em Nova York. Mas, com três meses de planejamento, percebi que aquilo não era para mim. Sai do projeto e passei mais três meses estudando o mercado e pensando no que fazer.

E voltou ao ramo de construção?

Pois é. Conhecia um brasileiro que tinha uma empresa de reforma na cidade e pedi para trabalhar de graça lá, para aprender como funcionava o método de construção nos Estados Unidos, que é totalmente diferente do que é feito na Europa. Depois, propus comprar metade da empresa com a promessa de entregar crescimento. Em quatro anos, saltamos de três para 50 funcionários. Assumi o comando da empresa e foi o início da Sagewood.

Em parceria com sócios franceses, a Sagewood construiu um edifício boutique de apenas seis apartamentos na rua 52, em Nova York — Foto: Sagewood Corporation/Divulgação

Em qual segmento a empresa atuava?

Em Nova York, se faz muito retrofit de prédios e apartamentos. Fizemos mais de 200 projetos assim. Ainda atuamos na cidade, onde temos uma sócia local – Joana Sampaio – e fazemos cerca de 50 obras por ano. E temos alguns marcos históricos: fomos a primeira empresa de brasileiros a construir na Quinta Avenida, com um edifício de 15 andares, em parceria com a JHSF, que foi a incorporadora. É onde fica o Fasano Nova York.

Como foi realizar esse projeto?

Foi desafiador. Teve uma história engraçada: era o governo Trump e faltando dez dias para concretar a última laje, o Serviço Secreto dos Estados Unidos nos procurou avisando que o presidente poderia visitar a cidade a qualquer momento e não poderíamos ter nenhum caminhão estacionado na avenida – o que nos causaria um atraso na entrega e prejuízo financeiro enorme. Avisei o agente americano e tomei o risco: contratei o caminhão e decidi concretar. No final, ele não veio.

Quais outros projetos você destaca em Nova York?

Fizemos um prédio novo na rua 52, com dois sócios franceses, onde demolimos uma townhouse e subimos um edifício de seis andares, onde mantivemos uma unidade sem vender que é nossa.

Outro marco importante foi uma casa que construímos nos Hamptons, onde permanecemos como investidores. Uma mansão de 1.800 metros, de frente para o mar. Uma propriedade de altíssimo padrão, com revestimentos e mobiliário todo importado da Itália e que colocamos para locação, que compensa mais do que vender. Atualmente, a mansão está avaliada em US$ 31 milhões. Nossa clientela de aluguel tem sido de bilionários europeus e CEOs e empresários americanos muito bem-posicionados financeiramente.

Mansão de 1.800 metros quadrados nos Hamptons, balneário de luxo dos novaiorquinos: à venda por US$ 31 milhões — Foto: Sagewood Corporation/Divulgação

Onde os brasileiros têm investido na cidade?

Em geral, nossos clientes compram imóveis na Quinta Avenida, Madison e Park Avenue. São superapartamentos de alto padrão e que ajudamos a retrofitar, em parceria com a arquiteta carioca Cristiana Mascarenhas, que atua por lá há muito tempo.

Como foi parar em Miami?

Após dez anos construindo e incorporando em Nova York, fomos convidados a fazer alguns projetos em Miami. Eram de clientes nossos que não conseguiam parceiros que entregassem o mesmo nível de qualidade. Mas, quando cheguei lá, em 2013, me deparei com a diferença de nível profissional dos trabalhadores locais em relação aos de Nova York. Faltava qualificação.

Quais os motivos?

Tem a ver com o clima, a Florida é muito quente. Há falta de competitividade também, e eles se acomodam. Em Nova York, ou você trabalha bem, ou está fora do mercado. E tem um pouco da imigração latina, embora sejam muito talentosos.

Mesmo assim, decidiu ficar.

Entendi que havia oportunidade ali e, de cara, passei a incorporar dois prédios e 14 casas. Nosso modelo de negócio é desenvolver regiões inteiras e na Florida há espaço para isso, exceto Miami – assim como no Brasil, por isso passamos a criar projetos aqui também. Vamos atuar bastante em Orlando, onde temos três projetos em análise, e em Tampa. E já estamos em Fort Lauderdale, com condomínios residenciais de médio e alto padrão, para dar fluxo de caixa.

Um Oásis de 1 Bilhão na Serra

UM OÁSIS DE R$ 1 BILHÃO NA SERRA

Uma união de peso chega ao mercado imobiliário do Brasil. A Areaum Participações e a Sagewood Corporation, incorporadora e construtora americana fundada pelo brasileiro Douglas Strabelli, firmaram parceria para o desenvolvimento e a construção de projetos imobiliários no Sudeste, Sul e Centro-Oeste do País, o que representa R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) até 2024.

Por meio da nova empresa, a Saau, o destaque é para a segunda fase do Quinta das Amoras, que terá lotes e casas de alto padrão de luxo em uma região conhecida pela natureza no Vale Alpino, em Teresópolis (RJ). O projeto de arquitetura é de Duda Porto, e o paisagismo é de Daniela Infante.

O foco do nosso projeto é trazer para a região o que há de mais atual em conceito de luxo, que no Rio de Janeiro não é apenas itens de marca ou produto de grife, mas é o luxo da simplicidade e do pé no chão, literalmente”, disse a presidente e sócia da Saau, Andrea Maturano.

Douglas Strabelli é personagem conhecido no Real State americano. Foi desenvolvedor de casas de alto padrão na região dos Hamptons, entre outros projetos de grande expressão como a construção do Fasano em Nova York. Ele entrou como sócio investidor e tem a mis- são de trazer clientes de fora para os projetos no Brasil. Strabelli conta que a proposta, no caso do Quinta das Amoras, é fazer do Vale Alpino a nova Hamptons, região do estado de Nova York conhecida por reunir vilas de altíssimo luxo.

Em 2023, a Sagewood completa 21 anos e, pela primeira vez desde a fundação, estaremos investindo no Brasil, disse.

Em busca de ampliar ainda mais os negócios, a Saau prevê a abertura de um escritório em São Paulo e outro no Rio de Janeiro até 2024. Pelo índice de valorização, o Quinta das Amoras, que também tem o ator e empresário Bruno Gagliasso como sócio, já é sucesso. Para se ter ideia, em quase dez meses foram vendidas.

Dos mais de 80% dos terrenos da primeira fase e os primeiros clientes já perceberam uma valorização de 43%. O empreendi- mento oferece terrenos de até 2,4 mil m2. Por conta da procura, Victorio Abreu, sócio da Areaum, adianta que a vila comercial prevista no local já tem marcas interessadas do Rio e de São Paulo, todas com políticas de sustentabilidade e de carbono zero, em sintonia com a proposta do Quinta das Amoras.

A localização é mais um diferencial, pois o empreendimento está em uma região desenhada pela natureza e de frente para o Parque Estadual dos Três Picos. Caminhar entre as trilhas e descobrir lugares fascinantes como cachoeiras, rios e mirantes são alguns diferenciais do Quinta. A sede social é mais um destaque: são mais de 9 mil m2 de lazer com piscinas para adultos com deck e para crianças, playground, salão multiuso para eventos sociais, espaço gourmet, trilhas, pomar, quadra de tênis, beach tennis e poliesportiva, além de coworking com internet de ponta para facilitar o home office e o trabalho híbrido.

SUSTENTABILIDADE No quesito sustentabilidade, os empreendimentos terão desde painéis solares até o plantio de milhares de árvores monitoradas com QR code para verificar o quanto cada uma sequestrou de gás carbônico (CO2) e o quanto ‘plantou’ de H2O. Tudo isso com a tranquilidade de estar em um condomínio monitorado 24 horas na cidade mais segura do estado e a oitava no ranking nacional.

É sempre bom frisar também que o morador estará a menos de 90 quilômetros do Rio de Janeiro e de Niterói, disse Victorio Abreu.

São diferenciais que tornam o empreendimento exclusivo. Dos quatro endereços da Saau, três estão localizados no Vale Alpino: o Quinta das Amoras, das Cerejeiras e do Café. Os projetos têm como vizinhos em um raio inferior a 5 km a Fazenda de Orgânicos Vale das Palmeiras, do ator Marcos Palmeiras, e a Vinícola Maturano, além da charmosa fábrica de sorvetes Sloop. Com a Saau, Douglas Stra- belli traz para a região toda a sua experiência para que o Vale Alpino trilhe os caminhos de uma Nova Hamptons.

Brasileiros procuram mercado imobiliário dos Estados Unidos

Segundo levantamento da National Association of Realtors, brasileiros adquiriram US$ 1,6 bilhão em imóveis nos EUA entre abril de 2021 e março de 2022

Em 2021, a quantidade de brasileiros que deixaram o País sem a intenção de voltar foi a maior em 11 anos: dado o prolongamento da pandemia, 17% dos emigrantes não retornaram. O principal destino foi os Estados Unidos. Em 2021 foram 56,9 mil brasileiros detidos por documentação irregular.

Morar e trabalhar nos EUA também era o sonho do paranaense Douglas Strabelli, que desembarcou em Nova York há mais de 20 anos. Hoje, sua empresa, Sagewood Corporation, conta com um portfólio que engloba hotéis, casas de luxo, ações de retrofit e restaurantes. Atuando como construtora e incorporadora, a companhia tem empreendimentos espalhados por todo o país.

Particularidades norte-americanas

O IQ Concept, por exemplo, é um projeto em desenvolvimento em Aventura, cidade no oeste da Flórida que vai englobar um prédio residencial e um condomínio multiuso com proposta multifamily. Propriedades Multifamily são complexos residenciais com diversos apartamentos registrados sobre uma mesma escritura, de forma a possuir apenas um proprietário, seja ele pessoa física ou jurídica.

Esses apartamentos são disponibilizados para aluguel e se tornam uma fonte de renda para o proprietário. Na prática, é uma espécie de investimento que, apesar de não ser tão difundida no Brasil, está consolidada no país norte-americano. De acordo com o mapeamento da CBRE em 2021, a modalidade movimentou US$ 69,3 bilhões em volume global de vendas e US$ 45,5 bilhões em volume global de empréstimos.

Não à toa, a Sagewood Corporation tem a expectativa de que o IQ Concept alcance um Valor Geral de Vendas (VGV) de US$ 250 milhões. E o Brasil deve ter papel fundamental nessa empreitada. “Cerca de 80% dos nossos investidores são brasileiros. Eles enxergam uma oportunidade de diversificação vantajosa nesse tipo de negócio”, contextualiza Strabelli, CEO da empresa.

Consolidando a carteira com o Brasil

O empreendedor confessa que se mudou para os Estados Unidos sem a ambição de enveredar para o mercado imobiliário. Antes, ele vivia na Espanha, onde chegou sem falar o idioma e trabalhava como ajudante de obras. Mais tarde criou sua própria construtora e seis anos depois a vendeu. Resolveu, então, migrar para Nova York. “Queria montar um restaurante, mas depois de três meses vi que meu negócio era outro”, brinca.

“Trabalhei de graça numa empresa de construção por quatro meses. Foi quando me especializei no mercado de luxo americano.” Ele conta que, no início, a maioria dos investidores eram clientes antigos que tinham se relacionado na Espanha, mas com o crescente interesse do público da sua terra-natal, acabou mudando de foco. “O brasileiro começou a entender o mercado e a perceber que não é difícil investir nos Estados Unidos”, afirma.

Douglas Strabelli é CEO da incorporadora e construtora Sagewood Corporation, empresa que foca em brasileiros que desejam investir nos EUA/ Crédito: Igor Coelho- F5 Images

Um dos maiores símbolos dessa participação brasileira foi a construção de um hotel Fasano na Quinta Avenida, em Nova York. Para abrir as portas aos investidores, ele costuma fazer roadshows por aqui. “Só esse ano fui 7 vezes ao Brasil”, comenta. Strabelli argumenta que a maior dificuldade dos investidores e pessoas físicas era encontrar empresas que pudessem ajudá-lo e intermediar esse processo.

Presença brasileira no mercado imobiliário dos Estados Unidos

Os brasileiros compraram US$ 1,6 bilhão em imóveis nos EUA entre abril de 2021 e março de 2022, de acordo com levantamento realizado pela National Association of Realtors. O valor representa 3% dos US$ 59 bilhões em propriedades vendidas para estrangeiros no país e coloca o Brasil na quinta posição entre os países com mais clientes no mercado de imóveis local, atrás apenas de China (US$ 6,1), Canadá (US$ 5,5), Índia (US$ 3,6) e México (US$ 2,9).

Também é de olho nessa fatia do mercado que a corretora de imóveis Yara Gouveia, da Leven Real Estate, procura fazer negócios. Moradora de Nova York, ela atua no setor há mais de 20 anos e conta que a participação brasileira no mercado imobiliário dos Estados Unidos sempre existiu, mas é marcada por altos e baixos. “A gente percebe algumas oscilações que acontecem pela alta de juros ou pelo câmbio”, pontua.

 

“Quando a diferença do dólar para o real era pequena, os brasileiros compravam bastante. O dólar subiu e o mercado sentiu. Nessa época, em Miami, onde a classe média compra mais, [o preço] estava ficando caro e os investidores começaram a vender”, exemplifica. “Durante a pandemia, houve uma nova mudança. E, agora, nesse período de pós-quarentena, o mercado vem se recuperando novamente”, pontua.

A corretora de imóveis Yara Gouveia afirma que observou aumento da procura de brasileiros por imóveis em Nova York nos últimos meses/ Crédito: Sérgio de Souza/ Divulgação

Especializada na venda de imóveis em Nova York e Miami, ela afirma que existem diferenças entre os públicos dessas duas localidades. O brasileiro que compra em NY não tem sensibilidade tão grande ao dólar quanto compradores de Miami, comenta.

Os dois últimos apartamentos que Yara vendeu em Nova York para brasileiros custaram oito e seis milhões de dólares, respectivamente. E ela diz estar observando aumento na busca nos últimos meses. “Acredito que pelo momento político e pelas incertezas de futuro, mais pessoas estão planejando suas vidas aqui. Não apenas para investimentos ou segunda residência, mas para mudança também.”

Oscilações do mercado

Entre abril de 2021 e março de 2022, compradores estrangeiros adquiriram 98.600 propriedades nos Estados Unidos. O valor representa queda de 7,9% em relação ao ano anterior e o menor número de casas compradas desde 2009. Por outro lado, no geral, as vendas de residências existentes nos EUA totalizaram 6,12 milhões em 2021 — o nível anual mais alto desde 2006.

Os preços parecem não ser os mais acessíveis, apesar disso. O comprador típico de uma casa em outubro pagou 77% a mais em seu empréstimo, por mês, do que pagaria no ano passado. Isso ajuda a explicar como a assinatura de contratos residenciais caíram pelo quarto mês consecutivo em setembro, de acordo com a National Association of Realtors.

O corretor de imóveis Frederico Gouveia acredita que esse é o melhor momento para investir no setor imobiliário de Nova York/ Crédito: Sérgio de Souza/ Divulgação

Para se ter uma ideia, em setembro, o termo “U.S. Bolha imobiliária” atingiu a maior alta em 15 anos, de acordo com dados de tendências do Google. Frederico Gouveia, corretor de imóveis que atua em Nova York, acredita que esse cenário pode se traduzir em oportunidades.

“A diminuição no volume de negócios faz com que os proprietários deem uma margem maior para negociação”, argumenta.

“Principalmente empreendimentos novos, que têm bastante estoque, estão com descontos mais altos. É uma chance boa para quem pensa em investir”, adiciona.

“Em 2021, houve grande recuperação na cidade depois da pandemia. Estamos observando uma melhora gradual, tanto no mercado de locação quanto no de venda”, complementa.

O que corrobora a afirmação de Frederico é que no primeiro semestre deste ano, as transações de propriedades comerciais nos Estados Unidos atingiram um recorde de US$ 375,8 bilhões. Fato é que entre prognósticos, altas de juros e perspectivas para o setor imobiliário dos EUA, o mercado imobiliário norte-americano, seja para moradia ou investimento, ainda é um sonho para muitos brasileiros.

Texto: Breno Damascena
Fonte: Estadão Imóveis